O segredo que não te contam sobre o controle do carrapato

26 de outubro de 2021

Atualmente na atividade leiteira, presenciamos vários problemas e empecilhos para garantir a máxima produção e rentabilidade das propriedades. Existem muitos pontos para levarmos em consideração quando falamos em máxima produção, um deles, se não o mais importante, é o bem-estar-animal. Na prática existem vários fatores que dificultam a sua garantia, um dos principais é o controle de parasitas, pois temos na atividade leiteira inúmeros tipos de parasitas onde o controle de cada um necessita de uma estratégia específica para diminuir as infestações.

O principal vetor biológico da TPB é o Carrapato com nome científico de (Rhipicephalus microplus), porém a outros vetores para a disseminação da doença como outros parasitas hematófagos, tais como, Tabanídeos (mutucas), a Mosca dos Chifres (Haematobia irritans) e a Mosca dos Estábulos (Stomoxys calcitrans).

Os parasitas trazem várias perdas econômicos nas propriedades leiteiras, entre elas, perda de peso, lesões na pele, anemia e diminuição na produção leiteira. Os carrapatos também são transmissores dos hemiparasitas que causam a tristeza parasita bovina (TPB), conhecida pelos produtores como “amarelão”, doença está que tem alto índice de morbidade e mortalidade nos rebanhos, principalmente em animais jovens, com baixa imunidade e em trânsito de animais entre uma propriedade para outra. Além de afetar o ganho de peso e a produção de leite, o produtor tem um custo considerável com medicamentos para tratamento dos animais, tento em vista que a uma grande chance de perda dos animais se o tratamento não for realizado nos primeiros momentos de infecções.

Diante desses fatores, percebe-se que a resistência dos carrapatos a princípios ativos presentes no mercado hoje é cada vez maior, isso pelo uso discriminado desses fármacos, de forma errônea diante dos produtores rurais. Perante a esses erros de manejo será feita uma breve discussão de formas corretas para controle eficaz e preventivo ao carrapato.

Uma das melhores formas para o controle do carrapato é o início correto da prevenção, que se inicia na saída do inverno para o começo da primavera, onde o parasita está em menor quantidade no ambiente devido as baixas temperaturas. Sendo assim, tem uma menor incidência e com a chegada dos dias quentes suas atividades são maiores favorecendo a subida para as folhas mais altas da pastagem, conseguindo subir em seus hospedeiros, no sentido de realizar o repasto sanguíneo e a reprodução.

As fêmeas de carrapatos, são capazes de produzir em média cerca de 3000 ovos que serão depositadas no solo das pastagens, e se transformarão em larvas, essas mesmas ficam à espera de um hospedeiro (bovino) para a sua subida, depois de subir os mesmos se alimentam e se transformam em ninfas, e logo após adultos, onde macho e fêmea são do mesmo tamanho, depois de fecundada a fêmea se alimenta mais que o macho e aumenta o seu tamanho e o repasto sanguíneo no animal, em seguida a fêmea desce para a oviposição nessa fase a mesma é denominada de teleógena. Todo esse processo tem em média de 18 a 35 dias.

Em frente a esses fatores, busca-se a realização do controle precoce dos parasitas nos animais, ou seja, fazer o uso de fármacos e estratégias de controle, como o uso de puor on, pulverização e banhos de imersão. A estratégia a ser utilizada e aproveitar a saída do inverno, onde a incidência de carrapatos no ambiente é menor, diante esse fato e necessário se iniciar um controle preventivo, para que a infestação e reprodução destes aracnídeos, não aconteça de forma exacerbada. Para esse controle, temos no mercado inúmeros fármacos e meios de utilização, alguns deles são a forma de puor on, ou fio do lombo, onde o produto é passado no dorso do animal da cernelha até a cauda absorvido é armazenado nos folículos pilosos, onde é liberado quando o carrapato faz o repasto sanguíneo, outra forma é a de imersão, onde os animais passam por uma banheira ou fosso repleto de água com o produto, é importante que a agua cubra totalmente o animal, fazendo com que o produto utilizado na agua tenho contato com toda a superfície corporal do animal. Na forma de pulverização, o produto e misturado em agua e com o auxílio de um pulverizador costal, e banhado o animal por completo, principalmente em áreas onde a pele é mais fina e o acúmulo de ectoparasitas e maior, (glândula mamaria, axilas, posterior dos membros anteriores, inserção da cauda). Outro método a ser utilizado é o uso de Dipropionato de imidocarb, com o intuito de fazer o tratamento preventivo ou curativo da doença tristeza parasitária bovina, que é caracteriza por 3 agentes, Anaplasma marginale, Babesia bovis e Babesia bigemina.

Para maximizar a produção, tendo em vista a maior eficiência da propriedade leiteira e reduzir cada vez mais os danos e gastos trazidos pelos carrapatos, e de suma importância conhecer um pouco sobre o ciclo de vida do parasita, e saber quando e como fazer o controle do mesmo, desse modo, impedir que esse aracnídeo tenha o controle sobre a propriedade e traga prejuízos e empecilhos para o crescimento saudável do rebanho leiteiro.


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